Contexto da Greve em Porto Alegre
No dia 26 de junho de 2026, a cidade de Porto Alegre se tornou cenário de uma importante mobilização entre educadores, servidores e a comunidade escolar, com o objetivo de protestar contra a privatização da educação pública. A razão desse ato foi uma proposta do governo estadual que visava leiloar a administração de 98 escolas estaduais, entregando sua gestão a empresas privadas sob o modelo de Parceria Público-Privada (PPP) por um período de 25 anos.
Os educadores, mobilizados pelo Centro dos Professores do Estado do Rio Grande do Sul (Cpers Sindicato), destacaram o temor de que essa privatização resultasse na deterioração do ensino e na perda do controle coletivo sobre as instituições. O ato se configurou não apenas como uma greve, mas como um manifesto em defesa da educação pública, levando milhares de pessoas às ruas para expressar sua insatisfação e resistência a essas políticas educativas.
Abertura do Ato pela Presidenta do Cpers
A abertura do ato foi conduzida por Rosane Zan, presidenta do Cpers, que traçou um panorama crítico da situação atual da educação no estado. Em seu discurso, Zan comparou o presente governo com administrações passadas, afirmando que o Rio Grande do Sul enfrenta uma de suas piores gestões já vistas, especialmente em relação às políticas públicas voltadas para a educação.

“Estamos diante de um projeto que pretende entregar a administração de nossas escolas a empresas que vão ganhar cinco vezes mais do que o que pagamos hoje para diretores e funcionárias que já atuam nas unidades. É uma visão distorcida entender que o futuro da educação está em parceria com a iniciativa privada”, disse Zan durante a manifestação.
Críticas ao Governo do Estado
Uma das principais críticas levantadas pelos manifestantes está relacionada ao projeto de PPP que o governo propôs, que, segundo os educadores, não atende aos interesses dos alunos e da comunidade escolar. Os críticos afirmam que esse modelo vai transferir a gestão das escolas públicas para empresas que visam lucro, em vez de focar na qualidade do ensino.
Além disso, foi destacado que as argumentações do governo sobre um suposto fortalecimento do investimento na infraestrutura das escolas não são convincentes. Os opositores da proposta exigem que os recursos públicos sejam utilizados de forma direta para a melhoria das escolas, e não para enriquecer empresas privadas. Eles questionam a transparência e a eficácia desse modelo, considerando que as empresas envolvidas na PPP não têm histórico positivo em outras áreas de atuação.
O Impacto da PPP nas Escolas Estaduais
A proposta de PPP inclui a administração de serviços de infraestrutura, manutenção, limpeza, vigilância e outros serviços não pedagógicos em 98 escolas de 15 municípios diferentes. Isso abrange cidades como Porto Alegre, Caxias do Sul, e Gravataí, com potencial para afetar mais de 60 mil alunos. A preocupação com a mudança de foco da gestão escolar é uma preocupação central entre os educadores.
O impacto financeiro também é significativo, já que o contrato da PPP pode gerar um gasto de mais de R$ 4,5 bilhões ao longo dos 25 anos, um valor que inquieta muitos profissionais da educação, que argumentam que esse montante poderia ser utilizado para melhorar todas as escolas públicas do estado, em vez de ser canalizado em uma parceria com empresas privadas.
Mobilização da Comunidade Escolar
A mobilização não foi apenas uma ação dos educadores, mas contou com a presença de estudantes, familiares e simpatizantes da luta pela educação pública. Juntos, eles levantaram cartões vermelhos, simbolizando a rejeição ao projeto de privatização, e expuseram faixas e cartazes pedindo a suspensão do leilão.
As vozes unidas na manifestação mostraram que a luta pela educação pública é uma questão de todos. “Essa defesa não é somente do Cpers, mas de toda a sociedade que acredita que a educação deve ser um bem público e acessível”, reforçou Zan durante sua fala, convidando mais pessoas a se engajarem na luta contra a privatização.
Os Números por Trás da Concessão
A proposta do governo de conceder a administração das escolas levanta questões sobre a real necessidade das intervenções planejadas. O estudo apresentado pela Cpers Sindicato aponta que cerca de 80% das escolas selecionadas para a PPP já estão em funcionamento e outras receberam investimentos recentes. Além disso, cerca de 8 das 98 escolas não têm histórico de necessidade urgente de reforma, indicando que a situação pode não ser tão crítica quanto apresentada.
Importância da Escola Pública
O modelo de ensino público é sustentado pelo princípio de que a educação deve ser um direito acessível a todos, independentemente da situação econômica ou social. Assim, a proposta de privatização é vista como uma tentativa de fragilizar esse direito. Os educadores e a comunidade escolar defendem que a escola pública deve ser valorizada e receber os investimentos necessários para se manter como um espaço de aprendizado de qualidade.
Perspectivas Futuras para a Educação
Com as datas e o futuro do leilão das 98 escolas agora incertos, a comunidade escolar se mobiliza não apenas para barrar estas propostas, mas em busca de um novo compromisso do governo com a educação pública. A unidade entre os educadores, estudantes e a comunidade é essencial para garantir que a educação continue sendo uma prioridade e que os recursos sejam utilizados de maneira responsável.
Apoio de Organizações Sindicais
Além da mobilização local, a luta pelo futuro da educação pública também contava com o apoio de diversas organizações sindicais e movimentos sociais, fortalecendo o movimento por uma educação de qualidade e acessível a todas as crianças. Isso demonstrou que a defesa da educação é uma questão que transcende as fronteiras de diferentes categorias profissionais.
O Papel da Sociedade na Luta pela Educação
Por fim, os educadores destacaram que a batalha para manter as escolas públicas não é apenas uma luta setorial, mas sim uma luta por direitos de todos os cidadãos. A participação ativa da sociedade se faz crucial para que se assegure uma educação que seja democrática, inclusiva e de qualidade, traduzida em ações concretas e mobilizações efetivas.


