Organizações da sociedade civil e movimentos sociais fizeram um ato contra a Meta em 19 de outubro de 2026, diante da sede da empresa em São Paulo. Os participantes contestaram o que classificam como interferência nas eleições brasileiras.
A mobilização ocorreu após relatos de restrições a perfis e publicações durante a campanha presidencial. Em comunicado divulgado em 16 de outubro, a Meta negou ter interferido ou favorecido candidatos, mas afirmou que falhas técnicas temporárias atingiram a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva.
Intitulado “Meta, não se meta na nossa eleição”, o protesto foi realizado no Edifício B32, na avenida Brigadeiro Faria Lima, no Itaim Bibi. Entre os organizadores estão CTRL+Z, Artigo 19, Diracom e Sleeping Giants Brasil.

O ato ocorreu em meio a questionamentos sobre a distribuição de conteúdo nas redes sociais no segundo turno. Em 18 de outubro, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deu prazo para a Meta comprovar que garantia condições iguais às campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro.
Ato diante da sede da Meta reúne críticas à atuação eleitoral
Os relatos sobre o número de participantes divergem dentro da cobertura do ato: o resumo informa cerca de 200 pessoas, enquanto o texto principal estima aproximadamente 300. Os manifestantes entoaram frases como “Meta não se meta” e “Donald Trump, não leve a mal, o Brasil não vai ser seu quintal”, além de pedir a regulação das grandes empresas de tecnologia.
Cartazes exibiam Mark Zuckerberg e Donald Trump. Também foram retratados o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, acompanhados da frase “não vão roubar nossas eleições”.
As reivindicações apresentadas no ato contra a Meta foram associadas pelos organizadores a relatos de remoção de publicações, banimento de perfis e queda de alcance sem explicação. Segundo as entidades, esses episódios afetaram principalmente conteúdos relacionados à campanha de Luiz Inácio Lula da Silva.
Notificação extrajudicial cobra reparação e transparência na moderação
As organizações informaram que enviariam uma notificação extrajudicial a Conrado Leister, diretor-geral da Meta no Brasil. Entre os pedidos estão a publicação de um comunicado no Instagram que reconheça os impactos das falhas e apresente desculpas, além do bloqueio de anúncios eleitorais irregulares pagos do exterior e da divulgação das receitas obtidas com essas peças.
O documento também cobra um painel público com dados sobre contas banidas e conteúdos removidos, canais de revisão conduzidos por pessoas e auditoria independente dos algoritmos. As entidades pedem ainda medidas de proteção a jornalistas e organizações da sociedade civil.
De acordo com dados da plataforma De Olho na Meta citados pelos organizadores, 430 reportagens de mais de 200 veículos foram reunidas; 97 mencionam interferências e 46 tratam de desinformação. Os grupos afirmam que nenhum dos 10 compromissos assumidos pela empresa perante o Tribunal Superior Eleitoral está sendo cumprido integralmente e mencionam mensagens internas de funcionários que teriam reconhecido prejuízos ao perfil de Lula por restrições atribuídas pela Meta a falhas técnicas.
Em 18 de outubro, o TSE concedeu à empresa 24 horas para comprovar que assegurava condições iguais de distribuição de conteúdo às campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro no segundo turno. Segundo as entidades, o Ministério da Justiça acionou a Agência Nacional de Proteção de Dados e o Ministério Público Federal, enquanto a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão abriu procedimento após receber uma representação de organizações de direitos humanos; a Meta não respondeu ao pedido de manifestação sobre o protesto e a notificação até a publicação da reportagem.


