Painel S.A.: Mercado de escritórios demora 15 meses para sentir efeito de juros, mostra estudo

O mercado de escritórios de São Paulo leva cerca de 15 meses para refletir mudanças nos juros, segundo estudo da SiiLA. O levantamento relaciona as decisões sobre a Selic à ocupação dos imóveis comerciais.

A análise reúne dados trimestrais de 2015 a 2026 sobre escritórios das categorias A+, A e B em 12 regiões corporativas da capital paulista. Foram cruzados indicadores da SiiLA com séries do Banco Central, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Tesouro Nacional.

O estudo ajuda a contextualizar a queda da vacância nas principais regiões corporativas de São Paulo, apesar dos juros em patamar elevado. No terceiro trimestre de 2026, a absorção líquida de escritórios de alto padrão chegou a 118 mil m².

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A SiiLA também projeta crescimento da absorção bruta e aponta oferta mais restrita de novos imóveis nos próximos anos. A análise destaca regiões como Faria Lima, Itaim Bibi, Vila Olímpia e Pinheiros.



Estudo identifica defasagem entre juros e ocupação dos escritórios

O CEO da SiiLA, Giancarlo Nicastro, descreveu a reação do setor como um “pedal com atraso”. Segundo o levantamento, as decisões do Banco Central sobre a Selic antecedem mudanças na ocupação dos imóveis comerciais paulistanos.



A análise relacionou indicadores imobiliários a séries do Banco Central, do IBGE e do Tesouro Nacional. A correlação observada, porém, não comprova que as alterações dos juros causem, por si só, variações na ocupação.

Essa defasagem ajuda a entender por que a vacância pode continuar recuando mesmo quando os juros permanecem elevados. O mercado de escritórios, portanto, não reflete imediatamente as decisões de política monetária, segundo a leitura apresentada pela SiiLA.

Absorção em alta encontra oferta futura mais limitada

A absorção bruta — área alugada ou ocupada sem descontar as devoluções ocorridas no mesmo período — corresponde a 9,4% do estoque acumulado em 12 meses. O modelo da SiiLA projeta que esse percentual chegue a cerca de 10,9% no quarto trimestre de 2027.

Para 2027 e 2028, estão previstos, em média, 117 mil m² de novos escritórios por ano. Esse volume é inferior à absorção líquida média anual de 268 mil m² registrada em 2024 e 2025, diferença que indica uma oferta projetada mais restrita do que a demanda observada nesses dois anos.

Nas regiões de maior concentração corporativa — Faria Lima, Itaim Bibi, Vila Olímpia e Pinheiros —, há previsão de apenas 61 mil m² em novos imóveis ao longo de 2027 e 2028. Segundo o estudo, essa limitação pode pressionar os preços dos aluguéis nessas áreas.





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