Um protesto contra a Meta reuniu centenas de pessoas em 19 de outubro de 2026, diante da sede da empresa na Avenida Brigadeiro Faria Lima, em São Paulo. Os manifestantes denunciaram restrições à circulação de conteúdos favoráveis ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A mobilização ocorreu após relatos de bloqueios de contas, remoções de publicações e quedas de alcance durante a campanha eleitoral. Em 9 de outubro, o perfil de Lula ficou quase 24 horas impedido de impulsionar publicações no Instagram.
O ato foi organizado por CTRL+Z, Código Não Binário, Artigo 19, Diracom, Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação e Sleeping Giants Brasil, com participação de movimentos populares. As entidades pedem explicações sobre a atuação da plataforma e medidas para reparar os prejuízos que relatam.

As denúncias também chegaram ao Ministério Público Federal (MPF), ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD). Enquanto esses órgãos apuram o caso, a Meta afirma que os problemas decorreram de falhas técnicas.
Denúncias de restrições e reivindicações dos movimentos
Mensagens internas da Meta, divulgadas após o bloqueio de impulsionamento no perfil de Lula em 9 de outubro, indicaram que funcionários da empresa reconheceram as restrições. As conversas também apontaram recomendações do perfil de Flávio Bolsonaro (PL) no Instagram e de seu canal no WhatsApp, embora as regras eleitorais proíbam esse tipo de recomendação.
A organização CTRL+Z compilou 1.121 relatos de suspensões de contas, remoções de publicações e redução de alcance durante o período eleitoral. Entre os casos registrados estão perfis de apoio a Lula, jornalistas, ativistas e movimentos sociais, que relataram falta de explicações claras sobre as medidas.
As entidades que participaram do ato tentaram entregar uma notificação extrajudicial a Conrado Leister, diretor-geral da Meta no Brasil, mas não conseguiram protocolar o documento presencialmente. No texto, pedem a recuperação de contas e publicações removidas indevidamente, além de canais de recurso com atendimento humano e auditoria dos algoritmos.
As reivindicações incluem ainda a retirada de anúncios eleitorais irregulares pagos do exterior, reparação dos prejuízos relatados e um pedido público de desculpas. Veronyka Gimenes, conhecida como Travahacker e cofundadora do Código Não Binário, afirmou que as restrições contra Lula foram inaceitáveis e que as organizações não aceitariam interferência nas eleições.
Apurações eleitorais e resposta da Meta
O Ministério Público Federal (MPF) abriu procedimento para apurar as denúncias, após receber representação de organizações da sociedade civil. A investigação trata das restrições relatadas por usuários e entidades durante a campanha eleitoral.
Em 19 de outubro de 2026, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deu à Meta prazo de 24 horas para comprovar tratamento igualitário às campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro. O tribunal estabeleceu multa diária de R$ 1 milhão em caso de descumprimento.
Em 20 de outubro de 2026, a empresa informou ao TSE que adotou revisão humana, em até duas horas, para suspensões e restrições automáticas aplicadas às contas de anúncios das campanhas presidenciais. O procedimento deveria valer até o segundo turno, marcado para 25 de outubro de 2026; a Meta negou favorecimento político e pediu que as multas não fossem aplicadas.
A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) notificou a empresa em 19 de outubro de 2026 para que esclarecesse denúncias de bloqueios e remoções sem transparência. O órgão abriu procedimento administrativo para examinar os critérios usados pela Meta e as formas de contestação oferecidas aos usuários; a empresa atribuiu os problemas a falhas técnicas.
Soberania digital e mobilização internacional
O protesto contra a Meta também levou os movimentos a questionar o poder de empresas estrangeiras sobre a circulação de informações no Brasil. As organizações defenderam maior autonomia nacional para desenvolver tecnologias e regular as plataformas.
Camila Moraes, militante do Levante Popular da Juventude, afirmou que a democracia brasileira não deveria ficar sujeita aos interesses de bilionários e de empresas estrangeiras que controlam espaços de informação e debate político. A fala relacionou a defesa da soberania digital à atuação das plataformas nas eleições.
Segundo os organizadores, mais de 150 pessoas se manifestaram diante da sede internacional da Meta, em Dublin, na Irlanda. Mais de 100 entidades também assinaram uma carta solicitando que a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Comissão Interamericana de Direitos Humanos acompanhassem o caso.


