Projeções para 2027 indicam juros altos e PIB fraco

Bancos e gestoras passaram a projetar um quadro mais adverso para a economia brasileira em 2027, com crescimento do PIB inferior a 1% nas estimativas mais pessimistas. Segundo profissionais do mercado citados na reportagem, também há risco de inflação acima de 5%.

A mudança ocorreu após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva. Nas semanas anteriores à eleição, investidores apostavam na vitória de Flávio Bolsonaro e esperavam valorização da bolsa, queda do dólar e redução dos juros.

Em 28 de outubro de 2026, a revisão das expectativas já aparecia nas carteiras de bancos e gestoras que atuam no mercado financeiro brasileiro. A preocupação mencionada por esses agentes é que a incerteza fiscal mantenha os juros elevados por mais tempo.

projeções econômicas para 2027

As projeções reunidas na reportagem abrangem o desempenho das ações, o investimento produtivo e a inflação, além dos efeitos sobre empresas e startups. Gestores também apontam que a duração da turbulência dependerá de medidas fiscais e da composição da equipe econômica.



Bancos e gestoras reavaliam apostas após a eleição

Após a mudança de expectativas, o Citigroup encerrou posições otimistas em ações brasileiras e abandonou a aposta na valorização do real. A BCA Research também reduziu suas recomendações para ações e títulos do país.

As projeções para a bolsa variaram entre as instituições. O Morgan Stanley passou a considerar possíveis perdas de 20% a 30% nas ações, enquanto o BTG Pactual estimou uma queda de 17% do Ibovespa em relação ao nível anterior à eleição.

As revisões refletem a avaliação de que a incerteza fiscal pode prolongar os juros elevados, segundo os agentes do mercado citados na reportagem. Esse fator aparece nas decisões sobre carteiras e nas estimativas para o desempenho dos ativos brasileiros.



A mudança contrasta com as apostas que prevaleciam antes da eleição, quando investidores esperavam valorização da bolsa e do real. A palavra-chave projeções econômicas para 2027 passou a abranger também perspectivas menos favoráveis para ações e títulos, além das estimativas para atividade e inflação.

Juros elevados pressionam investimento e perspectivas de crescimento

André Matos, CEO da MA7 Capital, calcula que o investimento em máquinas, equipamentos e construção possa avançar entre zero e 1% em 2027, caso dólar e juros permaneçam nos níveis registrados na semana de 28 de outubro de 2026. Na avaliação do executivo, a desvalorização cambial também poderia pressionar a inflação, e o PIB poderia crescer menos de 1% no ano.

André Luiz Haas Caruso, CEO da Pilar Capital, estima que juros persistentemente altos poderiam reduzir o crescimento do investimento privado entre dois e quatro pontos percentuais em relação a um cenário de estabilidade. Nas simulações dele, essa diferença retiraria de 0,3 a 0,6 ponto percentual da expansão do PIB; a desvalorização do real poderia acrescentar de 0,3 a 0,7 ponto à inflação acumulada até 2028.

No mercado de startups, Antônio Patrus, CEO da Bossa Invest, comparou a previsão de expansão global de 3,4% em 2027, do Fundo Monetário Internacional (FMI), à projeção brasileira de 1,31% registrada no Focus anterior à eleição. Para Patrus, empresas de venture capital devem buscar negócios que comprovem ganhos de eficiência e cresçam com disciplina no uso de capital.

Letícia Moschioni, sócia da Finscale, destacou a preservação do caixa das empresas: em uma simulação, um negócio com faturamento anual de 100 milhões de reais liberaria 2,74 milhões de reais em capital de giro ao reduzir em dez dias o prazo médio de recebimento. Antes da eleição, a Genoa Capital considerava amplamente majoritária a possibilidade de vitória de Flávio Bolsonaro e projetava inflação de 4% a 4,5% e Selic próxima de 11% no fim de 2027; já a Kinea estimava, no início de outubro, PIB de 1%, inflação de 4,7% e Selic de 12,5% para o ano.





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