Manifestantes protestaram contra a Meta em 19 de outubro de 2026, diante da sede da empresa na Avenida Faria Lima, em São Paulo. Segundo o relato publicado sobre o ato, o grupo pediu que a companhia não interfira nas eleições presidenciais brasileiras.
A mobilização foi convocada por organizações, entre elas a Artigo 19, e ocorreu às vésperas do segundo turno, marcado para 25 de outubro. Os participantes defenderam a soberania digital e de dados do Brasil.
Entre os envolvidos estavam a programadora Veronyka Gimenes e o jornalista Caê Vatiero, integrante da Artigo 19. O protesto ocorreu na capital paulista durante a disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que busca a reeleição, e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Os organizadores relacionaram a mobilização à influência da plataforma no processo eleitoral. A campanha de Lula também afirmou que levaria uma denúncia contra a Meta à Organização dos Estados Americanos (OEA), por suposta interferência nas eleições.
Manifestantes não conseguem entregar documento à direção da Meta
O grupo tentou entregar à Meta um documento dirigido à empresa e buscou contato com Conrado Leister, diretor-geral da companhia no Brasil. Segundo os organizadores, a entrega não foi concluída porque a empresa propôs receber o material na garagem do prédio, por meio de um funcionário terceirizado.
A programadora Veronyka Gimenes avaliou que essa forma de recebimento não correspondia à dimensão do ato. Ela afirmou que os manifestantes não conseguiram entregar o documento e que a proposta de atendimento na garagem foi considerada desproporcional à mobilização.
Veronyka disse que os organizadores pretendiam encaminhar o material digitalmente ao departamento responsável. Para ela, a dificuldade de acesso às pessoas encarregadas de tratar dos problemas reproduz, durante o processo eleitoral, uma postura de descaso e de promessas vagas atribuída à Meta.
Organizadores questionam o alcance da plataforma e defendem soberania digital
O jornalista Caê Vatiero, integrante da organização Artigo 19, afirmou que a mobilização também questionava a influência da Meta nas eleições. Segundo ele, canais ligados à esquerda, veículos independentes, organizações da sociedade civil e os canais do presidente Lula vinham registrando queda de alcance relacionada ao algoritmo da plataforma.
Veronyka Gimenes relacionou o debate à interferência dos Estados Unidos por meio de empresas de tecnologia e defendeu o desenvolvimento de tecnologias nacionais, públicas e soberanas. Ela disse que esse tipo de influência ocorreria há muitas eleições e que, em sua avaliação, o imperialismo norte-americano atravessa até mandatos progressistas.
Para Caê Vatiero, deixar as eleições nas mãos de outro país poderia pôr em risco direitos conquistados ao longo de anos de luta. A campanha de Lula, por sua vez, afirmou em documento que a Meta atribuiu a “problemas técnicos” os episódios questionados, enquanto brasileiros também realizaram um protesto contra a Meta diante de escritórios da empresa na Europa em 16 de outubro de 2026.


