A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) autuou o entregador de aplicativo Daniel Filismino por “condução agressiva” na Avenida Brigadeiro Faria Lima, em São Paulo. A ocorrência foi registrada em 13 de outubro de 2026, início da fiscalização de bicicletas e outros equipamentos de mobilidade na via.
A nova fiscalização foi implementada após uma portaria sancionada pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB). Em declaração de 16 de outubro, a CET afirmou que as ações iniciais priorizavam a orientação dos usuários.
Filismino relatou nas redes sociais que, segundo ele, agentes o abordaram por suspeita de excesso de velocidade e circulação irregular. O entregador também comparou a abordagem à orientação dada a usuários de bicicletas elétricas.

Há divergência entre a autuação relatada e a informação oficial da CET sobre os primeiros dias da operação. A Prefeitura de São Paulo ainda não havia se manifestado sobre a diferença, e a Câmara Municipal marcou uma audiência pública sobre o tema para 3 de novembro.
Autuação de Daniel Filismino e relato sobre a abordagem na Faria Lima
Em publicação nas redes sociais, Daniel Filismino descreveu a abordagem como intimidatória e afirmou: “Eu me sinto um ladrão de celular, um bandido, porque ele pulou na minha frente como se eu devesse alguma coisa”. O entregador contestou a atuação do agente da CET.
Filismino disse que, na avaliação dele, agentes orientavam usuários de bicicletas elétricas, enquanto sua abordagem foi diferente por ele usar uma bicicleta não elétrica. Segundo o entregador, não houve conversa antes da aplicação da sanção.
O entregador também relatou que algumas pessoas estariam evitando a ciclofaixa e preferindo circular junto dos carros. Na avaliação expressa por ele, usuários temem que uma abordagem na via resulte em multa, em vez de apenas orientação.
O que a CET informou sobre a fiscalização e a divergência nas multas
Em nota enviada em 16 de outubro, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) informou que realizou 86 abordagens na Avenida Brigadeiro Faria Lima nos dias 13, 14 e 15 de outubro e declarou que nenhuma autuação havia sido registrada no local. Essa informação diverge do relato da multa aplicada a Filismino, datada de 13 de outubro.
Segundo a CET, a fase inicial buscava alcançar o maior número possível de pessoas na ciclovia da Faria Lima, descrita pelo órgão como a via com maior concentração de ciclistas da cidade. A companhia afirmou que as ações seriam feitas em diferentes locais, em sistema de rodízio, para conscientizar os usuários e evitar a necessidade de multas.
A portaria municipal previa um período de transição de 45 dias, encerrado em 12 de outubro; por isso, as sanções estavam autorizadas a partir de 13 de outubro. A multa da CET na Faria Lima registrada nessa data ocorreu, portanto, após o fim do prazo de transição previsto na norma.
Sobre a velocidade, a CET disse ter instalado aferidores nas ciclovias para orientar os condutores, mas afirmou que não há enquadramento para multa por velocidade nem exigência de emplacamento. A declaração tratava desse tipo de infração e não esclareceu a divergência entre o balanço de abordagens divulgado pelo órgão e a autuação relatada por Filismino.


