Um protesto contra a Meta em SP foi realizado em 19 de outubro, em frente à sede brasileira da empresa, na Avenida Faria Lima. Os manifestantes contestaram uma suposta interferência da companhia nas eleições.
Organizado por entidades da sociedade civil e movimentos sociais, o ato recebeu o nome “Meta, não se meta na nossa eleição”. Segundo os organizadores, conteúdos e perfis ligados a grupos que apoiam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estariam sendo restringidos.
O caso ocorre durante o segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL). Em 15 de outubro, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou que a Meta não interferisse na distribuição de conteúdo político-eleitoral dos dois candidatos até o fim da votação.

Segundo apuração da TV Globo, os participantes tentaram entregar uma notificação extrajudicial a representantes da companhia, que se recusaram a receber o documento. A Meta nega direcionamento político e atribui os problemas relatados a falhas técnicas e em sistemas da empresa.
Protesto na Faria Lima e decisão do TSE
A notificação extrajudicial preparada para o protesto contra a Meta em SP seria dirigida a Conrado Leister, diretor da empresa no Brasil. As entidades organizadoras queriam que a companhia reparasse os danos que atribuem à plataforma e explicasse como toma decisões de moderação.
Segundo os organizadores, as denúncias das últimas semanas incluíam perfis banidos, publicações removidas, quedas repentinas no alcance e limitações de funcionalidades sem explicação. Eles também questionaram anúncios eleitorais pagos em moeda estrangeira e o uso de inteligência artificial para classificar e recomendar candidatos.
As entidades pediram canais para contestar decisões e o fim do que chamam de “shadowban”, uma redução seletiva do alcance sem aviso claro ao usuário. A notificação também solicitava a preservação de registros de moderação e de dados sobre a distribuição de conteúdos, para permitir auditorias do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), do Ministério Público e da sociedade civil.
Meta nega favorecimento e aponta falhas técnicas
Em manifestação divulgada em 16 de outubro, a Meta afirmou que não toma partido em eleições e que suas regras se aplicam igualmente a todos. A empresa disse que a conta de anúncios da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva foi desativada por engano em 23 de setembro, por pouco mais de uma hora, após um anúncio ser classificado como possível tentativa de se passar por um programa social do governo.
A companhia atribuiu a classificação incorreta a uma análise antifraude ligada ao acordo firmado em 13 de abril de 2026 com a Advocacia-Geral da União (AGU), voltado ao combate a golpes envolvendo programas federais. Segundo a Meta, a página oficial da campanha de Lula no Facebook e a conta no Instagram não foram bloqueadas; a empresa também relacionou o episódio às regras brasileiras para conteúdo digital e anúncios.
Sobre as reproduções de Reels, a Meta informou que um incidente técnico em 7 de outubro congelou ou distorceu contagens de visualizações por cerca de cinco horas, embora os vídeos continuassem sendo distribuídos. A empresa declarou que o problema atingiu criadores em mais de 100 países e que a campanha de Flávio Bolsonaro também relatou a falha naquele dia.
A Meta afirmou ainda que uma atualização de código provocou, em 9 de outubro, uma falha global no Gerenciador de Anúncios, que impediu temporariamente a criação de anúncios a partir de publicações já feitas no Instagram. Mensagens atribuídas a funcionários da empresa indicaram que restrições prejudicaram contas de Lula; em uma delas, a conta do presidente foi descrita como “limitada” em comparação à de Flávio Bolsonaro.
Empresa explica lacunas na Meta AI
A Meta atribuiu a um problema específico nas proteções da Meta AI o episódio relatado em 14 de outubro, quando pedidos de imagens de campanha de Lula teriam sido recusados, enquanto solicitações semelhantes para Flávio Bolsonaro eram aceitas. A empresa negou que a falha refletisse viés político.
Para cumprir as regras eleitorais, a companhia disse ter proibido temporariamente, no Brasil, a ferramenta de recomendar candidatos ou gerar imagens deles. Segundo a Meta, o sistema bloqueava solicitações que citavam nomes como “Lula”, “Luiz Inácio Lula da Silva”, “Bolsonaro” e “Flávio Bolsonaro”, mas nem sempre identificava um candidato quando um primeiro nome comum aparecia junto de um número eleitoral.
A empresa declarou que cada ocorrência mencionada pela campanha de Lula tinha uma explicação documentada e negou direcionamento político, manipulação da distribuição ou tentativa de influenciar a eleição. A Meta também afirmou que seus sistemas não classificam nem distribuem conteúdos com base em ideologia política.


