Dados de ocupação no terceiro trimestre
No terceiro trimestre deste ano, a ocupação de escritórios de alto padrão em São Paulo apresentou um resultado impressionante, com uma absorção líquida de 118 mil m², conforme levantamento realizado pela consultoria imobiliária Newmark. Este valor representa o melhor resultado trimestral já registrado, com os edifícios classificados como AAA correspondendo a 63% da absorção, totalizando 75 mil m².
No acumulado dos nove primeiros meses do ano, a absorção líquida alcançou 284 mil m², o que equivale ao dobro da média histórica anual, que se fixava em aproximadamente 139 mil m². Essa alta na ocupação reflete uma demanda crescente por espaços de alto padrão, mesmo diante da grande entrada de novos empreendimentos no mercado.
Impacto dos novos empreendimentos
A surpreendente elevação na ocupação de escritórios de alto padrão ocorre em um contexto de forte ingresso de novos empreendimentos. Neste trimestre, foram 176 mil m² de novos espaços disponíveis, um número significativamente superior ao volume registrado no segundo trimestre. Essa nova oferta aumentou o estoque de bens de alto padrão em cerca de 3%, totalizando 6,1 milhões de m².

A despeito do aumento da oferta, a demanda pelas novas unidades se mostrou robusta, com a absorção líquida representando cerca de dois terços do total recém-adicionado ao mercado. No entanto, essa dinâmica também levou ao aumento da taxa de vacância, que subiu 0,5 ponto percentual no último trimestre, atingindo 14,8%, embora tenha apresentado uma queda de 2,5 pontos percentuais ao longo de um ano.
Distribuição regional da ocupação de escritórios
Entre os diversos bairros de São Paulo, Pinheiros destacou-se como a região que mais contribuiu para a absorção líquida no terceiro trimestre, com 49 mil m², equivalente a 41% do total. Os bairros de Berrini, Chácara Santo Antônio, Barra Funda e Marginal Pinheiros também foram significativos, somando 86% da ocupação total.
Por outro lado, a Vila Olímpia, conhecida pela concentração de escritórios de alto padrão, registrou apenas 7 mil m² de absorção líquida. Este cenário ocorreu devido à escassez de espaços disponíveis na região, que limita as transações, o que também se verificou na Avenida Paulista, Faria Lima e JK, onde os números foram ainda mais modestos.
Taxa de vacância e preços de locação
Com a entrada de novos empreendimentos, a taxa média de vacância subiu para 14,8%. No entanto, essa taxa ainda é considerada baixa em comparação a contextos históricos e embolsou a tendência de queda do longo prazo. A expectativa é de que, com a redução da oferta nos próximos anos, os preços de locação continuem a subir. Atualmente, o valor médio de locação é de R$ 131,3 por m² ao mês, refletindo um aumento de 15% em um ano.
Os escritórios premium têm um custo médio ainda maior, atingindo R$ 183,8 por m² ao mês. As projeções indicam que, devido ao cenário macroeconômico, com taxas de juros elevadas e um crescimento moderado, as decisões de expansão das empresas poderão ser mais seletivas, mas não deverão interromper a recuperação do setor de escritórios de alto padrão em São Paulo.

