Em artigo publicado em 27 de outubro de 2026, César Fonseca questiona quem indicará o novo ministro da Fazenda e apresenta a escolha como parte de uma disputa sobre os rumos da economia no governo Lula.
Segundo o autor, Lula, eleito no domingo anterior, prometeu mudanças na política fiscal durante a campanha. Fonseca contrapõe essa promessa às informações sobre a busca pelo centro da meta fiscal.
Na análise, a reação do mercado financeiro na Faria Lima em 26 de outubro é descrita como queda da bolsa e alta do dólar. O texto associa esse movimento à pressão por continuidade do superávit primário.

O debate envolve também o Congresso e o Conselho de Política Monetária (Copom) do Banco Central. Fonseca apresenta a indicação para a Fazenda como um ponto de tensão entre as demandas sociais expressas na Avenida Paulista e as posições atribuídas ao mercado financeiro.
Reação do mercado e disputa sobre a meta fiscal
Além da reação financeira descrita na introdução, César Fonseca aponta a discussão sobre o cumprimento do arcabouço fiscal. Segundo o artigo, informações da equipe econômica indicavam a intenção de buscar o centro da meta, que, na leitura do autor, corresponderia a um superávit primário de 0,5%.
O cálculo citado considera receitas menos despesas primárias e exclui os juros da dívida. Fonseca afirma que o pagamento desses juros equivale a cerca de 9% do PIB, distinção que, em sua análise, ajuda a explicar a disputa sobre quais gastos seriam reduzidos para alcançar a meta.
O autor relaciona essa possibilidade a cortes em despesas públicas, incluindo saúde, educação e infraestrutura, além de mudanças nas aposentadorias vinculadas ao salário mínimo e de restrições a programas sociais de distribuição de renda. Também questiona a continuidade da transferência de R$ 1,5 trilhão dos trabalhadores para rentistas, apresentada no texto como uma sangria financeira.
Escolha para a Fazenda, Congresso e política econômica
Fonseca situa a próxima reunião do Conselho de Política Monetária (Copom), do Banco Central, como um teste para a orientação econômica. Como o artigo foi publicado em 27 de outubro de 2026 e previa a reunião para duas semanas depois, a decisão era esperada por volta de 10 de novembro de 2026; o autor afirma que o colegiado exerceria sua independência em relação ao Planalto.
Sobre a governabilidade, o artigo relata que Lula disse que governaria em diálogo com o Congresso e, ao mesmo tempo, atenderia às maiorias manifestadas nas ruas. Fonseca descreve a nova maioria parlamentar como predominantemente neoliberal e favorável à austeridade fiscal, apontando uma tensão entre essa composição e as demandas sociais que atribui aos eleitores.
A indicação do novo ministro da Fazenda aparece, assim, como uma escolha ainda indefinida entre perfis distintos. Fonseca contrapõe um nome desenvolvimentista e nacionalista, comprometido com demandas sociais, a alguém alinhado à bancocracia da Faria Lima; o artigo também insere nessa disputa suas alegações sobre tentativas de dificultar o acesso de eleitores às urnas em São Paulo e Salvador e a contestação dessas manobras por autoridades e pelo presidente dos Estados Unidos.


