Cyrela aposta no alto padrão apesar da oferta elevada

A Cyrela lançou um empreendimento de alto padrão na rua Oscar Freire, em São Paulo, apesar da ampla oferta de imóveis do segmento na cidade. A incorporadora aposta nas características do projeto para atrair compradores.

Na semana anterior à publicação, a reportagem identificou 11 empreendimentos de alto padrão com estandes abertos na Oscar Freire ou a uma quadra da via. A oferta inclui unidades de diferentes tamanhos, e a velocidade de vendas do segmento também diminuiu.

O lançamento foi noticiado em 29 de outubro de 2026. Efraim Horn, co-CEO da Cyrela, aponta a vista e a localização como diferenciais do projeto em Pinheiros, na zona oeste da capital paulista.

imóveis de alto padrão em São Paulo

Sócios da BM Partners afirmam que a combinação de mais lançamentos e condições econômicas desfavoráveis tem levado compradores a pedir descontos. Os dados da Cyrela também mostram vendas menores no alto padrão em comparação com o ano anterior.



Projeto da Cyrela aposta em altura, vista e localização na Oscar Freire

Batizado de The One, o empreendimento tem valor geral de vendas (VGV) de R$ 800 milhões e fica na parte da rua Oscar Freire situada em Pinheiros. As unidades terão entre 284 e 421 metros quadrados, distribuídas em 45 andares.

O co-CEO da Cyrela, Efraim Horn, destaca a vista como um dos diferenciais do edifício, que terá 150 metros de altura. Segundo ele, será um dos prédios mais altos já construídos pela incorporadora e está em uma área de maior altitude na cidade.

Nas proximidades, a empresa está concluindo um edifício corporativo que abrigará sua sede e terá andares locados ao Nubank. O prédio foi projetado com vista de 360 graus para a capital paulista.



Horn afirma que a localização permite oferecer o metro quadrado por R$ 25 mil, preço que considera relativamente mais acessível e associado a uma qualidade urbana semelhante. Uma unidade padrão deve custar cerca de R$ 7,1 milhões; para o executivo, a rua é icônica e uma diferença de 200 metros pouco altera a decisão de moradia.

Oferta de imóveis cresce e vendas do alto padrão perdem velocidade

A concorrência por imóveis de alto padrão em São Paulo abrange unidades de 164 a 1.560 metros quadrados nos empreendimentos da região da Oscar Freire. O segmento teve bom desempenho nos últimos anos e chegou a ser visto como alternativa diante da pressão sobre o poder de compra da classe média, mas o ritmo de comercialização também diminuiu.

Marcelo Dornelas, sócio de real estate da BM Partners, descreve uma “tempestade perfeita”, formada pela ampliação da oferta e por condições econômicas que desestimulam a compra por clientes que podem esperar. Segundo ele, compradores acompanham o mercado e têm pedido descontos expressivos para fechar negócio.

Daniel Pinheiro, também sócio de real estate da BM Partners, diz que a formação de estoques é cíclica e pode ocorrer quando várias incorporadoras lançam projetos semelhantes ao mesmo tempo. Ele relaciona esse movimento ao longo prazo entre a compra de um terreno e a entrega das unidades, período em que as empresas precisam estimar como estará a economia, por exemplo, dali a três anos.

Ricardo Raoul, diretor da gestora Paladin, aponta aumentos de oferta em Itaim Bibi, Vila Nova Conceição e Jardins e associa os preços mais altos aos custos de terrenos e construção. No Jardins, segundo ele, lançamentos não saem por menos de R$ 40 mil o metro quadrado; a Cyrela, por sua vez, somou R$ 3 bilhões em VGV lançado no alto padrão até setembro, ante R$ 5,6 bilhões em 2025, e registrou vendas de R$ 2,6 bilhões no período, recuo de 20% na comparação anual.





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