Jardins: Lixo de domingo irrita paulistano
terça-feira, 23 de novembro de 2010A varrição de ruas nos fins de semana motiva queixas no centro e na zona sul da capital paulista. A varrição da Rua Oscar Freire, por exemplo, entre a Avenida Rebouças e a Alameda Casa Branca, é realizada pela Prefeitura três vezes por dia, de segunda-feira a sábado. ‘E os comerciantes ainda contrataram um varredor para reforçar a limpeza’, diz Rosangela Lyra, presidente da Associação dos Lojistas dos Jardins. ‘Mas ele só trabalha de segunda a sábado.’
De seis meses para cá, o problema aumentou aos domingos, segundo Rosângela, porque cresceu o número de lojas que abre neste dia. Quando a cidade recebe feiras e megashows, como no fim de semana passado,o movimento na via é ampliado e as lixeiras chegam a transbordar.
De acordo com a Prefeitura, aos domingos também existe varrição, mas uma vez ao dia. A Associação dos Lojistas dos Jardins tem um pacto com a Prefeitura – e a contratação de um funcionário seria uma espécie de contrapartida. Mas cobra a ampliação do serviço.
Todos os dia cinco sacos de 100 litros de lixo são levados para um prédio comercial da Rua Haddock Lobo, também nos Jardins, onde ficam armazenados até o dia seguinte, quando passa o caminhão de lixo. ‘Pedi para a Subprefeitura de Pinheiros um carrinho motorizado de lixo, como os do centro’, comenta Rosangela. ‘Também requisitei mais ajuda para a limpeza aos domingos. Mas até agora, nada.’
E o problema não ocorre apenas em vias principais. Nas ruas de grande circulação, como a Paulista, os varredores são responsáveis pela limpeza da calçada, do leito carroçável, e também pelo esvaziamento das lixeiras públicas. Nos locais mais tranquilos, como a Rua Aurora, no centro, as calçadas ficam por conta dos proprietários. ‘Os catadores de lixo abrem os sacos e esparramam a sujeira por todo lugar’, conta o produtor cultural Marcelo Kahns, de 62 anos, que mora há 20 anos nas proximidades da Praça da República, no centro de São Paulo. ‘Nem o caminhão da coleta recolhe o que está acumulado a céu aberto. E o lixo se acumula.’
Kahns evita receber visitas, principalmente aos domingos, quando não há coleta, e o lixo se acumula. ‘Tenho vergonha’, diz. Sensação parecida sentiu o empresário Agostinho Turbian, de 52 anos, ao levar um grupo de empresários portugueses para conhecer a Rua Oscar Freire, no domingo. ‘Queria mostrar a rua mais bacana da cidade. As lixeiras transbordavam e as pessoas tropeçavam em garrafas de água e copinhos espalhados no chão.’
A Limpurb informou que tem feito reuniões com associações de bairro, lojistas, subprefeituras e com as empresas de coleta de lixo para detectar as áreas mais problemáticas e identificar os grandes geradores de resíduos. Depois disso, será possível orientar melhor o serviço.
Fonte: O Estado de S. Paulo


