Jardins recebe espetáculo Da Vinci, Maquiavel e Eu
quinta-feira, 13 de junho de 2013Duas figuras importantes da história universal, expoentes de um período marcado pelo florescimento cultural e científico tem trechos de suas obras e pensamentos costurados no espetáculo Da Vinci, Maquiavel e Eu. Com texto de Tadeu Di Pyetro e Miguel Filliage, dramaturgia de Chico de Assis e direção de Elias Andreato, a peça estreou no dia 1º de junho no MuBE Nova Cultural. O espetáculo teatral – baseado no legado destes homens fascinantes, divertidos e talentosos – tem interpretação do ator Tadeu Di Pyetro, com pesquisa histórica orientada pela atriz Rosi Campos.
De um lado, um dos mais talentosos pintores de todos os tempos, tido como um gênio, também anatomista, engenheiro, matemático, arquiteto, músico, inventor e escultor, Leonardo Da Vinci (1452- 1519), autor da célebre Gioconda (Monalisa). De outro, o pensador e diplomata reconhecido como fundador do pensamento e da ciência política moderna Nicolau Maquiavel (1469 – 1527), autor de O Príncipe. Em cena, existe também a figura do Ator, um terceiro personagem, que faz o contraponto com os dois personagens.
A partir da pesquisa que confirma o encontro entre Da Vinci e Maquiavel para a realização do projeto de reversão do curso do Rio Arno, que banha Florença, Tadeu Di Pyetro e Miguel Filliage resolveram criar o espetáculo.
De acordo com Elias Andreato, “personagens contemporâneos, antagônicos e complementares, Maquiavel e Da Vinci influenciaram profundamente a história da humanidade, permanecendo incrivelmente atuais. Seus ensinamentos são referenciais para uma reflexão sobre o comportamento do ser humano, sua ética, valores e escolhas”.
“Neste começo de século 21, o homem se depara com os mesmos problemas da época dos personagens: a falta de referências, de esperança e de sonho”, comenta Di Pyetro, completando “se trata de duas figuras, dois mestres contemporâneos”.
Maquiavel, pragmático, se aprofunda no comportamento do ser humano, enquanto Da Vinci, sonhador, analisa o homem e sua relação com o universo (“para ele não há limites no sonho”). “São duas visões de mundo que devem ser referenciais para nós hoje. Devemos tirar o melhor dos dois para usar como referência atualmente, quando um certo maniqueísmo tomou conta da sociedade de consumo”, reflete o ator. “Eles podem ser elementos de reflexão para caminharmos onde a velocidade da informação é muito grande.”
O diretor Elias Andreato assina embaixo: “Vivemos um novo período de rompimento de paradigmas, onde as transformações ocorrem de forma tão rápida, que nos falta a reflexão e compreensão do mundo globalizado. A busca por resultados imediatos, os novos desafios, a degradação do ambiente, a falta de valores humanísticos, nos deixam sem parâmetros de ação ética. Estudiosos do comportamento humano, Leonardo e Maquiavel são referências, cujos pensamentos devem ser mais bem conhecidos, analisados e disseminados”.
“O espetáculo traz a possibilidade desse encontro de ideias de dois ícones: A liderança de Maquiavel e a genialidade criativa de Leonardo da Vinci. Ambos são convidados a apresentar suas ideias e convicções, registrar suas inquietações da alma, cumprir seu papel de reflexão. O ator processa esse dois lados e também reflete sobre o agir e o pensar. A montagem está sendo encenada em um momento ideal para estimular a reflexão na humanidade, a questionar o mundo em que vivemos”, detalha o diretor.
Elias Andreato explica se tratar de “uma comédia que tem como eixo o ser humano e suas contradições, na busca por referências, ideais, sonhos e ações que levem ao equilíbrio, à felicidade e à realização plena. O jogo teatral estabelece um diálogo entre Maquiavel e Leonardo, apresentando suas teorias e conceitos, cada qual defendendo um olhar sobre a natureza do ser humano e o mundo”.
“A dinâmica do espetáculo humaniza os personagens e nos traz a possibilidade da reflexão sobre seus contrastes e convergências”, explica o diretor. “A visão de cada um sobre as faces de luz e sombra dos indivíduos devem ser compreendidas na sua complexidade, minimizando uma visão superficial, simplista e preconceituosa. Surge então um novo personagem: o homem contemporâneo, que procura absorver os pensamentos apresentados, refletindo sobre ideia e ação dentro dos novos paradigmas”, completa Tadeu Di Pyetro.
Essa é primeira vez que Elias Andreato dirige Tadeu Di Pyetro, porém ambos já atuaram juntos nos palcos com o espetáculo Avarento, de Felipe Hirsch. “Em nossa profissão existe uma inquietação para adquirir conhecimento, aprender, evoluir. As duas funções, tanto de dirigir como de atuar, contribuem para o repertório teatral, auxiliam e aprimoram o leque teatral”, diz o diretor.
“O embate não é apenas entre Leonardo e Maquiavel, mas principalmente sobre nossos conflitos, inseguranças e buscas interiores. Este homem processa os universos de Leonardo e Maquiavel, sintetizando o sonhar e o agir, atuando proativamente para si e para a sociedade”, finaliza Elias Andreato.
Serviço no bairro dos Jardins:
Temporada: Até 21 de Julho
Horários: Aos Sábados 18h30 e Domingos às 20h00
Duração: 60 minutos
Classificação: 12 anos
Local: TEATRO MUBE NOVA CULTURAL (192 lugares)
Vallet: R$ 25,00
Endereço: Av. Europa, 218 (entrada pela Rua Alemanha, 221)- Jardim Europa
Telefone para informações: 4301-7521
Fonte: MuBe


